Os estragos da jornada de trabalho excessiva

   Sono & Desempenho

Estudo mostra os estragos da jornada de trabalho excessiva

O excesso de horas trabalhadas compromete o desempenho médico, revela pesquisa feita pela psiquiatra Ana Paula Megale Hecksher. A principal conseqüência da alta jornada de trabalho é sentida no sono dos médicos.

Os resultados mostram que 56,6% dos 303 profissionais de saúde têm problemas para dormir. As doenças mais relatadas foram insônia, apnéia e distúrbios neurológicos, como mexer as pernas de forma involuntária.

A falta de sono, além de diminuir a qualidade de vida, deixa o profissional mais propenso a cometer erros em diagnósticos, tratamentos e procedimentos cirúrgicos. “O problema é que quem não dorme bem, trabalha fatigado, com reflexos lentos e baixa memória, o que pode gerar uma demora na tomada de decisão ou induzir a uma falha grave”, explica a psiquiatra.

Segundo a gerente de Medicina do Trabalho da Secretaria da Saúde do DF, Maria das Dores do Araújo, “estamos observando um aumento nas licenças por depressão e ansiedade, distúrbios que geram falta de sono”.

Com os dados do estudo,  Hecksher chegou à conclusão que o ideal seria que os médicos cumprissem até 44 horas semanais. “Mas há quem trabalhe 80, 100, até 120 horas”, alerta.

Com tantas horas de trabalho, o tempo de estudo é escasso, gerando ainda mais frustração. A Medicina exige aprimoramento constante, formação técnica e humana de alta qualidade e, principalmente, cuidados com a própria saúde física e mental. Em alguns hospitais no exterior há momentos de estudo dentro da própria jornada de trabalho, considerados como treinamento e parte da própria atividade laboral.

Trabalho excessivo, frustração profissional, ausência de repouso e estresse são causas de muitas doenças a que todas as pessoas estão sujeitas, inclusive os médicos. Pensando nisso, o CRM-DF discute a implantação de planos de carreira entre médicos e hospitais públicos, que possibilite aos profissionais o cumprimento de jornadas de trabalho menos estressantes, para que não comprometam a saúde física e emocional.

Fonte: Jornal Correio Brazilienze (Edição de 08/03/2006)

Fonte: http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=BuscaCanalAcademico&nota=98 (10/02/2009)

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